terça-feira, 28 de outubro de 2014

Colocações de professores ou: Life is Cruel




Mesmo não sendo professor, consigo discernir que neste momento, o ministro da educação precisa de fazer mais do que desculpar-se em jeito de: Life is cruel. E isto é chato. É chato porque o ministro não pode estar esquecido de que estamos numa fase em que pagamos impostos mais altos e que os serviços não estão a acompanhar o pagamento feito, em que a educação é obrigatória até ao décimo segundo ano o que implica mais professores e melhor gestão do ensino, e que há taxas de desemprego assustadoras. Neste momento os jornais estão a juntar-se a uma certa disputa social por quem conseguiu amealhar mais colocações em curto espaço de tempo e disputa-se entre o caso que foi colocado em duzentas escolas e o que foi colocado em duzentas e uma escolas. Para no dia seguinte vir o caso de quem foi colocado em duzentas e duas escolas. E isto está a tornar-se insólito. 
Há anos que assistimos a uma desvalorização da carreira do professor, que os obriga (sim, usei bem o verbo) a reivindicar coisas básicas. Em vez de estarem preocupados com preparar aulas e fazer o seu trabalho, são obrigados a estar preocupados com o facto de não saberem se vão ensinar a equação do primeiro grau numa escola do Algarve ou de Vila Real. Ou se vão alugar casa com a família inteira no Porto ou no Alentejo. Ou se naquele mês vão gastar cem euros em gasolina ou trezentos euros.
E por um lado é bom que venham a público estes casos, para que o país tenha noção real do estado da gestão do ensino no nosso país. Mas por outro (todas as moedas têm dois lados, não é?) isto contamina mês após mês, a imagem do professor. Já lá vão os tempos em que os professores eram vistos (e eram vistos assim com razão) com uma importância extrema. Os pais sabiam que o professor era importantíssimo para o futuro do João, da Maria e do António. As câmaras sabiam que a escola era importantíssima. As pessoas pagavam a educação mas sabiam que o futuro era melhor, que o esforço era recompensado, que estar a ser educado era uma mais valia para o futuro.
Neste momento as colocações dos professores põem a nu a forma como os professores estão a ser conduzidos para um sistema de produção industrializada. Professor atrás de professor, quase em maquinaria de produção, vão em linha industrial para a esquerda, direita, diagonal e, caso tenha havido erro de tapete rolante e tenham ido parar à máquina errada, fora com ele e já se vê. 
E assim andam os professores do nosso país, reduzidos a produto industrial quase. Estará esquecido o ministro de que, sem professores ou com um professor diferente a cada semana, ou com falta de professor durante semanas consecutivas, nunca teria tido educação séria para chegar a ministro? 

2 comentários:

Brook disse...

Muito bom. Concordo com cada palavra! Isto está um caos...

A Gata de Saltos Altos disse...

Concordo contigo. Foi indecente o que aconteceu. Tinha uma amiga na outra ponta do país (Algarve), já com casa alugada, filhos na escola, e de repente, teve de ir embora. Enfim...

http://agatadesaltosaltos.blogspot.pt/